quarta-feira, julho 28

... uma questão de €!

O regresso de Fátima Felgueiras ao executivo camarário teve o condão de animar (como era previsível) o cenário político.
E até a auditoria às contas da autarquia, anunciada logo após as eleições, e discutida vezes sem conta (se estava ou não a ser efectuada), finalmente vai ser realizada a acreditar nas declarações de Inácio Ribeiro.

Em minha opinião, a avaliação das contas da autarquia deveria ter sido feito no início do mandato, por todas as razões que facilmente todos identificarão, mas também para própria protecção do novo executivo. No entanto, este executivo, que apesar de iniciado não é politicamente "ingénuo" , utiliza a "arma" das contas precisamente no momento em que Fátima Felgueiras regressa à política activa.

Teria sido preferível que as contas tivessem sido auditadas no início do mandato, e que servisse para identificar problemas e elaborar planos... assim fica a ideia que se trata de um trunfo político e não organizacional. Mais tarde, confirmaremos se além de trunfo político, não será também uma desculpa...

14 comentários:

SPC disse...

O atrasar da auditoria é um erro grave de gestão e, talvez, uma "inocência politica".

O regresso da "outra senhora" era previsível pois a vida sem a luz dos holofotes é fria e cinzenta para quem, durante anos, se habituou ao calor das luzes e do Brasil.

A falta de uma auditoria torna as noticias vindas da Câmara, relativamente ao estado financeiro da mesma, frágeis e susceptíveis de contraditórios vulgares e sem fundamento.

Se uma auditoria fundamentasse as afirmações sobre as finanças da Câmara não haveria espaço a comentários. Apenas a explicações.

HQuintela disse...

Ora aí está! Concordo inteiramente consigo quando diz: "se uma auditoria fundamentasse as afirmações sobre as finanças da Câmara não haveria espaço a comentários. Apenas a explicações."

Eu escrevi isso mesmo a semana passada no EF: "...facto marcante à volta da questão das finanças, é que mesmo sem existir ainda (pelo menos ainda não é do conhecimento público que exista, e a SIC anunciou que o presidente a iria pedir nas próximas semanas) uma avaliação quantitativa, independente e credível, o Presidente faça declarações contundentes e tão marcadas sobre o assunto. Só ficaria bem se a auditoria tivesse sido feita desde o primeiro dia de mandato, o que provavelmente significaria que hoje já existiria um resultado dessa avaliação, e que todos os actos e declarações públicas seriam sustentados por essa “adiada” auditoria."

Teixeira disse...

Há contentes por pensarem que certas habilidades vão encobrir a incompetência que os novos autarcas mostram. Mas o que tem de ter presente é a realidade, se há ou não competência. Querem saber o que o povo pensa em Felgueiras, como se ouve por aí? o Dr. Inácio Ribeiro nunca pensou que ia vencer as eleições, que na verdade não foi ele que venceu mas a Fatima que perdeu, por causa das tarifas da água. sendo assim, ele como não esperava vencer, não estava preparado, nem nunca se imaginou nessas funções, tendo-se feito acompanhar por pessoas ainda menos preparadas, e, nalguns casos, nada expeditos para os lugares. Diz-se que IR é boa pessoa mas está mal acompanhado. Essa é que é a verdade, e Felgueiras está quase em eterna espera, sem se ver melhorias.

smartins disse...

Caro Hélder e SPC,
O que estamos a falar são dívidas, ou já confirmadas pelo tribunal - pagamento à junta de Lustosa de 1,3 milhões de euros, condenação do STA - empreiteiros 5,6 milhões – em Tribunal – e ainda 4 milhões à SUMA por serviços não liquidados entre 1999 e 2006 – já em pagamento. Para isto não era precisa uma auditoria. Ou está pago ou não.
Este foi o melhor momento para fazer o anúncio da auditoria, cumprindo com mais uma promessa eleitoral, logo depois de ter acabado o estudo sobre os recursos humanos, que vai hoje a Assembleia Municipal. Recordo também aos mais distraídos que esta foi uma promessa do presidente, Inácio Ribeiro. Optimizar e tornar mais eficiente a máquina camarária, que tem mais de 800 funcionários.

HQuintela disse...

Está pago ou não está? Certo...

Mas estar pago ou não estar não significa nada em termos de saúde financeira da autarquia.

A autarquia pode ter dívidas em atraso mas ter dinheiro para as liquidar!... O que não será o caso...

Mas como é que isso é provado? Através de uma auditoria independente e credível que clarificasse todas as dúvidas!

HQuintela disse...

Ahh... E quanto ao momento foi o melhor, sim, em termos de estratégia política!

Bruno Carvalho disse...

Caros amigos...

Podem ficar descansados pois a auditoria já está encomendada ao que parece à mesma empresa que fez o estudo da reorganização dos serviços... falta saber é se será também por 20 mil contos ou mais baratinha....

smartins disse...

Caro Bruno,
Eu gostava mesmo era que comentasse era a questão das dívidas. Os estudos sabemos quanto custam, o que não sabemos era porquê que as dívidas se encontram por pagar.
Já agora porquê que a CMF foi condenada a pagar 1,3 milhões de euros à junta de Lustosa?

Bruno Carvalho disse...

Caro amigo Sérgio...

Ainda não vi a condenação... Apenas vi o Sr. Presidente falar em condenações e dívidas... para que saiba na última reunião de Câmara os 2 Vereadores do MSP entregaram 7 requerimentos a solicitar cópias dos documentos que suportam a tão pesada herança financeira. É que levantar suspeições e discurso fácil não pode ser aceite a um Presidente de Câmara.

smartins disse...

Bruno,
Pelo menos a questão da condenação pelo STA do pagamento a Lustosa de 1,3 milhões assim como os 4 milhões da SUMA são adquiridos. Mas afinal de que se trata este processo da junta de Lustosa?

Bruno Carvalho disse...

A questão da Junta de Lustosa está relacionado com um acordo realizado com vários Municípios aquando da construção do aterro na freguesia de Lustosa em Lousada.
Esta questão não é só de Felgueiras. Paços de Ferreira está na mesma situação. O acordo era no sentido de compensar o depósito do lixo no aterro em Lustosa. Esse aterro serve Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira. Descobriu-se depois que Lousada tinha ficado fora desse acordo. E aí começaram os problemas. Porque afinal não seria uma compensação de todos mas só de alguns...

SPC disse...

Eu bem sei que nas declarações públicas sobre a difícil situação das fianças da Câmara foram apenas usados exemplos concretos como a divida da autarquia a um "super empreiteiro" (digo super porque é tão bom que "comeu" quase todas as obras publicas no seu tempo) que aceita obras de milhões por "ordem verbal" e espera anos para reclamar a divida e os juros. Esta informação foi recebida na câmara após audiência ao mesmo.

Na divida do aterro em Lustosa a informação chegou via tribunal.
As dívidas á Suma estão registadas.
Bem sei que isto são dividas mas há uma coisa em que discordo consigo Sérgio, eEsta não era a altura de apresentar uma auditoria. Era altura de concluir a auditoria.

Não vou misturar a reorganização dos quadros da Câmara com a auditoria. A o estudo e proposta de reorganização são uma medida de boa gestão tal como a auditoria o será!

SPC disse...

Isto de Lustosa é ilustrativo do que Felgueiras era!

Um elemento do MSP vem a publico dizer cheio de orgulho que o município tem um registo de termos de pagamentos a empresas de obras publicas menor que 3 meses.

Agora temos cá outro a dizer que "A questão da Junta de Lustosa está relacionado com um acordo realizado com vários Municípios" mas como o município de onde a freguesia pertence não paga nós também não pagamos!
“Paços de Ferreira está na mesma situação”

O que é isto? O vizinho não paga eu também não?

Falha-se assim ao acordado?


É isto que identifica Felgueiras? Falhar aos acordos?

Eu só faço três perguntas.
1 - Lousada não pagar a Lousada (Lustosa) fez com que o pagamento acordado por Felgueiras aumentasse?
2 - Se Lustosa fosse Felgueiras a Câmara pagaria á Freguesia?
3 - Acharíamos justo e idóneo que outras Câmaras não nos pagassem porque nós não pagávamos á nossa freguesia?

Eu tinha vergonha de dar esta explicação em público ó Sr. Bruno!

Bruno Carvalho disse...

A discussão dos assuntos que nos interessam a todos é salutar e importante. Não posso é deixar de lamentar que alguns insistam em ataques pessoais, em vez de discutirem o essencial, não tendo ainda percebido que isso não produz efeito nenhum.

Quanto à questão do aterro de Lustosa a questão não é tão simples como o Executivo da NE quer fazer passar: dívidas e mais dívidas... aliás, o contrato de deposição dos resíduos no aterro de Lustosa é com a Associação de Municípios e não com cada município, bem como o contrato com a SUMA. E isto é importante, porque o acordo feito foi no âmbito da Associação de Municípios, e por aí a importância da questão de Lousada... é que Lousada não pode estar na Associação de Municípios só para o que lhe interessa...