sábado, janeiro 30

Mudar as regras… a meio do jogo (*)

Os sete municípios mais penalizados com a introdução do pagamento de portagens nas SCUTS, A41 e A42, decidiram solicitar ao ministro das Obras Públicas uma reunião de urgência. Na reunião, em que estiveram presentes os presidentes ou representantes dos municípios da Maia, Valongo, Matosinhos, Paredes, Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras foram debatidos os principais argumentos para explicar ao Governo porque não o deve fazer.
Desde logo, porque solucionar um erro com outro erro não é, de todo, a melhor estratégia. Como verificamos agora, os custos elevadíssimos do despesismo dos governos socialistas de Guterres e da brilhante ideia de hipotecar as gerações vindouras com os custos das SCUTS, estão a tornar-se completamente incomportáveis. Como não há dinheiro, há que colocar agora o contribuinte-utilizador a pagar. Já pagamos como contribuintes e agora novamente como utilizadores. Sempre defendi o princípio do utilizador-pagador e continuo a manter a mesma opinião. O que não concebo é que depois de estar definida a forma de financiamento da via as regras sejam mudadas a meio do jogo. Há inúmeros investimentos que foram feitos nestes concelhos – veja-se a título de exemplo a Ikea em Paços de Ferreira – que tiveram em linha de conta as vias para escoar os produtos e receber matérias-primas. Os custos do investimento e distribuição foram calculados com uma base que, agora, o governo pretende alterar. Mas esse não é o único exemplo. Felgueiras, um dos concelhos mais industrializados do distrito, vai ver a única via de acesso rápido ao aeroporto e porto de Matosinhos tornar-se mais cara. Todos os munícipes, destes e de outros concelhos do interior do distrito que usam a via para chegar ao aeroporto ficarão penalizados se tal medida for por diante.
A Assembleia da República aprovou recentemente a Lei que permite o casamento entre homossexuais. Acho esta Lei perfeitamente disparatada. Mas vamos por partes. Em primeiro lugar não condeno, de forma nenhuma, alguém com uma diferente orientação sexual, religiosa ou de raça. Em segundo lugar acho que “casamento” não é o que define a relação entre um casal homossexual. Um casamento está definido cultural e historicamente como entre pessoas de sexos diferentes. Terceiro. Se o objectivo era acabar com uma alegada discriminação, essa foi, pelo contrário, ampliada, já que um casal gay, casado, não pode adoptar crianças, enquanto que se viverem em comum e sendo solteiros o podem fazer. Lá se vai o argumento da dignidade que se pretendia atribuir a tal relacionamento, com o nome de casamento. De resto, estou completamente de acordo que os casais gays possam usufruir dos demais benefícios que os casais heterossexuais têm em termos de impostos, finanças, heranças, etc. Já que os deputados da nação assim quiseram, poderiam ter ido mais longe e resolver de vez, todas essas questões. Agora, não lhe chamem é casamento.
As relações entre o Poder e os Media sempre foi baseada no “dar e receber”. O Poder necessita dos Media para fazer chegar a informação ou desinformação, conforme o caso, ao eleitorado e os Media necessitam do Poder para encherem os jornais e os noticiários. Até aqui tudo bem. Mas se algum dos jogadores neste jogo com linhas muito ténues ultrapassa os limites do outro acontecem “incidentes”. Um dos mais famosos, o caso Watergate, levou o presidente dos EUA, Richard Nixon, à demissão para evitar um impeachement por parte da Casa dos Representantes. Por cá temos alguns casos como o processo “Casa-Pia” longe de terminar e mais recentemente o caso “Freeport” a envolver o nosso primeiro-ministro que dizendo “cobras e lagartos” do Jornal da Noite da TVI de sexta-feira e da sua pivô, levou (??) ao fim do mesmo e à saída desta. Há limites que, pelos vistos, não podem ser ultrapassados.
Para além disso, os governos e as autarquias começam a seguir, por cá, os passos das empresas em termos de comunicação (ver exemplos de Lisboa e Porto) seguindo uma cadência e estratégia de comunicação do que se faz, sem medo a criticas ou opiniões. Esvaziar, através da técnica futebolística do “blackout”, todos os meios de comunicação de informação só dá azo a uma coisa: informação deturpada, condicionada e lida como se quiser. Não seria preferível comunicar?
(*) Expresso de Felgueiras, 15 Janeiro 2010

2 comentários:

atento disse...

Exmo. Senhor
Director do “Expresso de Felgueiras”

Gostaria de não ver apagado este comentário. Se tal acontecer, só poderei concluir que este blog que se diz democrático não é mais do que uma “confraria” de amigos, de promoção e protecção mútuas. Digo isto porque tenho visto aqui comentários que vêm sendo apagados sem justificação mínima para tal.
Estranho V.ª Ex.ª, que é co-proprietário e director do “Expresso de Felgueiras” e Ilustre correspondente da Lusa, tenha, para além disso, a necessidade de publicar textos aqui, no Felgueiras 2005, e no seu blog pessoal, “Marca D’ Água”, onde gosta de mandar umas alfinetadas de sabor político mas por motivações pessoais.
A vida está difícil para todos. Tal como V.ª Ex.ª, há muitos jornalistas que gostariam de ter uma situação económica mais favorável, mais folgada (a sua não será das piores), mas não é por isso que estes passam a vida a chorar nem se dizem amargurados com “ingratidões” ou “deslembranças” – citando seu blog pessoal. Nem dizem pessoalmente a ninguém que “assim como os meteu no poder, também consegue tirá-los de lá”. Este aspecto é mais grave, porque em causa estão os princípios éticos e deontológicos do Jornalista. Mas, no capítulo das deontologias, V.ª Ex.ª tem descurado essa parte. Dou-lhe um exemplo: V.ª Ex.ª publicou um artigo do Dr. Lemos Martins na última edição do “Expresso de Felgueiras”. Sem colocar em causa a honestidade moral de V.ª Ex.ª e do douto deputado municipal, interpreto as respectivas pessoas sem a devida postura pública, porque depois de V.ª Ex.ª ter sido desafiado pelo dito político a explicar a manchete do “Expresso de Felgueiras” anterior às eleições autárquicas sobre os tarifários da água e saneamento, director e colaborador retomam relação como tais, como se nada tivesse acontecido e como se estivesse esclarecido o assunto da manchete, a que o Dr. Lemos Martins, mais tarde, baptizou de embuste. Mas, afinal, onde estamos, ilustres senhores?
Outra pergunta: V.ª Ex.ª já escreveu mais editoriais em três meses de mandato da “Nova Esperança” do que em quatro anos de poder “Sempre Presente”.
Do que V.ª Ex.ª estava à espera não se concretizou. O problema é exclusivamente de V.ª Ex.ª, e sabe porquê? É que ninguém lhe prometeu nada, V.ª Ex.ª é que criou demasiadas expectativas, enganando-se a si mesmo, da mesma forma como se enganaria se o Dr. Manuel Faria tivesse ganho as eleições em 1997 e assim como se enganou em relação ao Dr. Horácio Reis, na sua curta carreira política, não terá convencido a Drª Fátima Felgueiras a dar-lhe a almejada assessoria de imprensa.
Contudo, não desmotivo V.ª Ex.ª de prosseguir a sua bonita profissão de Jornalista. Por exemplo, tem pano para mangas para fazer uma grande reportagem para o jornal sobre os cadáveres políticos que abundam pelo concelho. Mas recomendo a máxima precaução, porque pode V.ª Ex.ª cair no mesmo buraco que o coveiro há muito abriu. O coveiro é ambição desmedida, a precipitação e a falta de seriedade intelectual.
Endereço a V.ª Ex.ª as minhas cordiais saudações.

Atentamente,
SO

smartins disse...

Meu caro “atento”

Não posso deixar de fazer uma série de observações:
i) O comentário não foi apagado pelo Armindo Mendes;
ii) A única pessoa que o pode fazer, sou eu, enquanto administrador do blogue;
iii) O Armindo Mendes escreve neste local a nível pessoal e não enquanto Director do jornal Expresso de Felgueiras;
iv) Há inúmeros directores de jornais nacionais que emitem a sua opinião pessoal nas televisões, sem que isso comprometa a sua posição de director de jornal;
v) Vir para aqui atirar com uma série de acusações e insinuações sem que para isso tenha qualquer tipo de prova, não é mais do que a “arte do enxovalho” a coberto do anonimato.
vi) Muito menos com criticas sobre opções editoriais ou de conteúdo do EF, para isso escreva para lá;
vii) Continuarei a apagar todos os comentários que o justifiquem;