quinta-feira, fevereiro 25

Cem dias mal contados (*)

Foram cem dias mas eu não os contei. Não os contei, nem dei por eles a passarem. Há por aí uma regra, mais ou menos instituída, que são cem os dias de “estado de graça” a que cada governante tem direito desde que toma posse. Aí sofre a primeira das avaliações, não dos eleitores seus fregueses, mas dos órgãos de comunicação social, partidos da oposição, comentadores e analistas políticos. A única forma, mais ou menos fiável, de aferir a popularidade de um líder ou governo é fazendo uma sondagem, que eu tenha conhecimento não foi feita nenhuma em Felgueiras.
Este executivo de maioria PSD/CDS começou, escassas semanas após ter sido eleito, a ser colocado debaixo de fogo. Não pelos eleitores, mas pelas oposições. PS e MSP, duas faces da mesma moeda num espaço político exíguo, vão tentar fazer de tudo para dificultar a acção deste executivo. A precoce exigência do cumprimento dos compromissos de campanha dá o mote, o tom rígido, inquisidor e acusador do tribuno na Assembleia Municipal acrescenta e a última entrevista a este jornal fecha o círculo. O PS está pronto para governar… daqui a quatro anos. Só os eleitores o poderão dizer nessa altura mas ainda a procissão vai no adro. Até lá este executivo exercerá a função para a qual foi incumbido, governar os destinos do concelho de Felgueiras.
Eu fui, julgo saber, o primeiro a defender publicamente aqui, nesta humilde coluna de opinião, e no extinto programa da Rádio Felgueiras, “Conversas Cruzadas”, o nome de Inácio Ribeiro como aquele que melhores condições tinha, a meu ver, para vencer as eleições. O resultado eleitoral deu-me razão e a todos aqueles que nele viram a alternativa. Por isso falo com alguma propriedade quando digo que falta comunicação a este executivo. Quando me refiro a comunicação refiro-me a uma verdadeira comunicação, com intenção de esclarecer população e órgãos de comunicação social, com vontade de anunciar. Nada pior do que meias palavras, meias intenções e… meios esclarecimentos. Não abona a favor da credibilidade anunciar que existe uma licença no dia de inauguração de uma grande superfície comercial, para depois ela não existir. Não fica muito bem a um líder de bancada usar como argumento contra a criação de uma comissão de acompanhamento na Assembleia Municipal, da celebre questão da água, o facto “dessa” questão “não ser um tema prioritário”. Apesar da experiencia política de Alírio Costa, só pode ter sido por engano que o disse. Não vão ser estas pequenas questões que vão colocar problemas ao executivo, convém é que não abram feridas onde a oposição se possa alimentar.
Há muito tempo que não via um corso carnavalesco e, pela primeira vez, vi o da Longra. O velhinho estilo do carnaval carregado de sátira política e sexual ao seu melhor. O popularucho estilo não lhe tira o mérito, antes pelo contrário, vai buscar aquilo que de mais genuíno há no povo e nos seus costumes. Apenas um reparo. Numa época de preocupação ambiental, motas e carros a debitarem monóxido de carbono em grande escala não fica muito bem, mas como é carnaval ninguém levará, por certo, a mal.
(*) Expresso de Felgueiras 19 de Fevereiro 2009

3 comentários:

CP disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CP disse...

Concordo plenamente com o primeiro comentário!

atento disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.